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A busca por cursos profissionalizantes e técnicos no exterior aumentou em 2010. A expectativa do mercado é que a demanda seja ainda maior em 2011. Das oito empresas especializadas em intercâmbio consultadas pela Folha, todas apontaram o crescimento das vendas de cursos de negócios, marketing, design, moda e gastronomia em países como Austrália, EUA, Inglaterra, Itália e Canadá.

Dois fatores impulsionam esse movimento. Um é a taxa de conversão do dólar, que continua baixa (R$ 1,67).

Outro, segundo as agências, é o maior conhecimento de línguas estrangeiras pelos brasileiros - para fazer esses cursos, geralmente é preciso ter nível intermediário. O inglês se tornou obrigatório no segundo ciclo do ensino fundamental - do sexto ano em diante- em 1996.

Um dos que investiram em um curso técnico no exterior foi Gabriel Leonardo da Silva, 21, que já havia passado um mês nos Estados Unidos e contava com inglês fluente. Em 2009, trancou a graduação em administração na ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) e embarcou com destino a Sydney, na Austrália, para fazer um curso de seis meses na área de negócios. Para ele, a vivência em outro país e o vocabulário focado em sua área de atuação foram destaques do programa.

"O conteúdo não foi além do aprendido na faculdade. Era o básico, do primeiro ano [de administração]."

Revalidação no país é dispensada

Experiência vale no currículo quando está alinhada ao plano de carreira, dizem especialistas

DE SÃO PAULO

Os cursos profissionalizantes e técnicos no exterior têm como chamariz oferecer mais do que o domínio de outro idioma. O diploma recebido, porém, não costuma ser revalidado no Brasil.

A burocracia do trâmite ajuda a explicar o motivo. O reconhecimento dos cursos é feito a partir da comparação entre o que foi estudado e as ementas que constam no Catálogo Nacional dos Cursos Técnicos.

Esse processo pode durar mais de um ano e faz com que muitos não procurem revalidar o certificado, segundo agentes de viagem. O Centro Paula Souza, um dos principais responsáveis pela ação no Estado de São Paulo, afirma ter recebido 33 pedidos de revalidação de diplomas técnicos em 2010. Desses, 18 foram concedidos.

Com ou sem revalidação, diz Flávia Werneck, diretora da agência Master Exchange, o mercado dá importância para a experiência. "Participar de um programa no exterior mostra que a pessoa se expôs, que buscou crescimento e que fala outra língua fluentemente", avalia o diretor de marketing e novos negócios da consultoria Fellipelli, Caio Infante.

FOCO
Muitos saem do Brasil dispostos a investir em hobbies como culinária e moda, segundo agências de viagem. Apesar de consultores de carreira avaliarem que a vivência em outro país já conta pontos no currículo, há quem considere que o curso escolhido deva estar alinhado aos planos profissionais.

É preciso mostrar que não se trata apenas de turismo, mas de investimento na carreira, sentencia Marisa Silva, consultora da Career Center. Foi o que fez Anna Tereza Peixoto, 20. Assim que terminou o ensino médio, embarcou para a Austrália para fazer um curso técnico de administração de eventos.

O pai da profissional é dono de uma produtora - o que lhe garantiria um emprego. Mesmo assim, decidiu aprofundar-se com um curso fora do país para conseguir estágio em outras empresas. Segundo Marcia Mattos, gerente de cursos do STB -que registrou aumento de 50% na venda de pacotes com cursos profissionalizantes em 2010-, as viagens têm sido feitas também por quem planeja trocar de profissão. "O profissional que não tem certeza de que está no caminho certo faz um curso em outra área e volta com um novo projeto de carreira", diz.

Fonte: Folha de São Paulo